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Antes de tudo, relembremos o esquema que postei no artigo sobre Lastro de PescaSub.... (Se possível releia o artigo).
Até ai ok?
Agora chegamos a duas perguntas que resumirão nosso artigo:
1) O que acontece com o ar que não conseguimos remover das vias aéreas ao mergulhar?
2) O ar nas células do sangue/pulmões também sofre o efeito da pressão?
Comecemos entendendo quais as principais cavidades do trato respiratório são preenchidas com ar/gases... À grosso modo, o esquema abaixo é bem ilustrativo... Mostra onde estão as grandes porções de ar do trato respiratório:
E todas estas cavidades têm ligação com o trato respiratório através de aberturas para a cavidade nasal... Quando ocorre a inflamação da mucosa na região destas aberturas, ocorre o entupimento desta passagem e as bactérias aproveitam a situação para reproduzirem-se... Temos uma sinusite... Sinus (Seios) Ite (inflamação)... Abaixo os seios da face conectados à cavidade nasal:
Ainda conectados à cavidade nasal, temos o ouvido interno, através das Tubas de Eustáquio que terminam nos óstios faríngeos (plural porque são dois, um de cada lado, um para cada ouvido)... Na imagem abaixo, vemos um dos óstios de frente, circulado em amarelo, através de um corte em uma cabeça:
Note no desenho acima a presença dos seios Frontal e Esfenoidal anteriormente mencionados...
E agora veja como fica esta ligação vista de frente, agora ressaltando o que nos interessa em colorido... Ouvido Externo, Tímpano e Trompa/Tuba de Eustáquio:
Pra quem não sabia nada, demos um grande passo!!! Agora devemos entender que a mucosa da Tuba de Eustáquio é algo mole... Que pode obstruir-se com variações de pressão, e se isto acontecer, a fina membrana do Tímpano é a primeira a "gritar"... Começa com um incômodo e evolui para dor... E o segredo para aliviar estas sensações é equilibrar as pressões da Tuba e do Ouvido Externo! Vejamos:
Quando a situação for de equilíbrio entre estas duas cavidades, dizemos que estamos equalizados, e isto está exemplificado no esquema em verde, mas ao subirmos ou descermos na atmosfera (e isso torna-se muito mais evidente em meios mais densos como a água), geramos diferenças nas pressões do Ouvido Externo e Tuba de Eustáquio, quando subimos, o ar de dentro tende a expandir-se, forçando o Tímpano para fora, onde a pressão é menor, e ao descer, o peso da coluna de água comprime o ar do Ouvido Externo, aumentando a pressão em relação à da Tuba de Eustáquio. E ponto!! Entendendo isso, basta equalizar, ou equilibrar esta pressão, comprimindo as narinas e "empurrando" ou "puxando" ar do trato respiratório superior conforme a necessidade! Se Descemos, devemos "empurrar" mais ar para compensar a pressão externa, e se subimos fazemos o contrário!
É claro que existem outras técnicas para o mesmo fim, mas de início está muito bom!
Passemos a segunda pergunta: O ar nas células do sangue/pulmões também sofre o efeito da pressão? E a resposta é "Sim"!!! Mas para mergulhadores em apnéia o risco é mínimo!!!
Porque?! Imagine-se mergulhando de cilindro ou compressor... Dentro do cilindro/mangueira do compressor, o ar encontra-se muito comprimido, e dependendo da profundidade onde ele for descomprimido, ocupará um volume (que respeita a tabela inicialmente mostrada... E sim, consumimos mais ar do cilindro em profundidades maiores!)... Enfim... Estou a 20 metros respirando ar comprimido, e decido subir... O ar nas minhas hemácias e no meu pulmão tenderá a triplicar seu volume ocasionando lesão no pulmão ou literalmente fazendo o "sangue ferver", pois expande dentro da hemácia que se rompe e "borbulha", causando o que chamamos de embolia aérea... O sangue já não circula em algumas áreas porque estas ficam ocupadas com ar... E normalmente a área afetada é o cérebro, por ser o órgão mais vascularizado e alto do organismo... O resultado pode variar de narcose (uma espécie de demência) a seqüela física (perda da motilidade de um órgão) podendo, inclusive culminar com a morte do mergulhador... Em caso de narcose ou embolia os danos podem ser revertidos/minimizados tratando os pacientes em câmara hiperbárica, o tratamento é lento, caro e depende muito do tipo de lesão e a quanto tempo foi. Se a embolia atingir uma perna ou braço e não for diagnosticada, normalmente leva à amputação do órgão.
Como evitar a embolia? Controlando a velocidade de subida, fazendo as paradas obrigatórias na subida e respeitando o tempo de fundo e número máximo de mergulhos para aquele dia! Fácil? Ainda tem muita gente sofrendo com isso... Veja o vídeo:
Assista também:
E pra saber mais sobre narcose, veja o filme "O Segredo do Abismo" em que o vilão é vítima deste mal... Veja o trailer abaixo:









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